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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O desafio do Ensino Religioso na Educação Infantil

Um educador é mesmo um inquieto pesquisador, curioso por natureza... nas minhas vastas visitas pelas páginas da net, encontrei este artigo que me chamou a atenção. Li e achei interessantíssimo e decidi publicá-lo aqui para que outros profissionais da área da educação, digo, pais, acadêmicos e professores, possam enriquecer o seu conhecimento. Boa leitura e ótimo trabalho!
Cornélia Fantini Kucek¹
                                                                   Kizzy Feldkirker²
Resumo
A Educação Infantil é a primeira etapa do desenvolvimento escolar da criança e
sendo nela que toda a base de formação acontece, independente da área do
conhecimento a que nos referimos, não é possível deixar de atentar para a importância
de uma formação com qualidade para o Ensino Religioso entre estes educandos. O
presente texto aborda as dificuldades que os educadores desta faixa etária podem
encontrar para desenvolver seu trabalho, no que se refere à falta de formação específica
do docente, sendo que em sua maioria, os que trabalham nesta área são professores
generalistas; bem como a restrição de materiais didáticos adequados para este ensino.
Buscamos levantar polêmica sobre a formação dos professores e ao mesmo tempo
evidenciar a necessidade de uma busca de material adequado ao trabalho que deve ser
desenvolvido.
Palavras-chave
pedagógica e material didático.
: Educação Infantil, Ensino Religioso, formação de professores, prática
¹ Graduada em Pedagogia pela Universidade Tuiuti do Paraná e Pós Graduada em Psicopedagogia pelo
Instituto Ibepex, Professora de 1ª série do Ensino Fundamental e Professora de Ensino Religioso do
Ensino Fundamental – 5ª a 8ª série e Ensino Médio no Colégio Vicentino São José.
² Graduada em Pedagogia pela Universidade Tuiuti do Paraná e Pós Graduada em Psicopedagogia pela
Universidade Tuiuti do Paraná, Professora de 1ª Série do Ensino Fundamental na rede Municipal de
Ensino de Curitiba e Professora do 1º Ano do Ensino Fundamental no Colégio Marista Paranaense.
Introdução
Este trabalho pretende levar a uma reflexão da importância do Ensino Religioso
na primeira infância, partindo do pressuposto que a Educação Infantil é base de toda a
formação, onde se sabe que a criança necessita ser estimulada de forma integral.
Até os seis anos de idade é o período no qual mais se desenvolvem as
habilidades e competências, e o que vem depois disso é apenas reflexo e maturação do
que foi construído.
Na Educação Infantil acontecem as primeiras relações sociais da criança, que
oportunizarão com que ela perceba os espaços sociais aos quais pertence e outros aos
quais poderá estar participando eventualmente, interagindo e aprendendo assim o
respeito ao outro e as diferenças.
Este aprendizado dar-se-á de dentro para fora, ou seja, primeiro a criança tende a
acreditar que tudo que está ao seu redor lhe pertence – fase do egocentrismo - depois
destes primeiros contatos, onde o outro também aprende a respeitá-la, é que
compreenderá o seu espaço, o espaço social e a necessidade de interagir para que o
mesmo ocorra em relação a ela.
É fundamental que nesta fase seja oportunizado o primeiro contato com o
universo religioso, tendo como base o saber de si para que a criança consiga reconhecer
as diferenças do contexto social que a cerca, pois através deste processo é que ela
conseguirá crescer em seu aspecto social e cognitivo, sem carga de preconceito.
Inspiradas em nossa prática pedagógica, na Educação Infantil e Séries iniciais,
nossas dificuldades e conquistas, decidimos pesquisar o funcionamento do Ensino
Religioso na Educação Infantil, em diferentes realidades, mas nos deparamos com
empecilhos que fizeram com que a nossa pesquisa tomasse outro direcionamento: a falta
de fontes bibliográficas de pesquisa, específicas para este segmento da educação.
Decidimos então, buscar e analisar materiais didáticos produzidos para este
nível de escolaridade e para esta área do conhecimento, que atendessem aos objetivos
reais e possíveis da disciplina para a Educação Infantil.
Após esta busca, encontramos a coleção Redescobrindo o Universo Religioso,
que por seu caráter pedagógico, bastante adequado à faixa etária e também
fundamentado dentro dos princípios contemplados na proposta desta área do
conhecimento enquanto currículo - mesmo esta não sendo contemplada nos Referenciais
de Educação do nosso país - serviu como ponto de partida para nossa pesquisa.
Partimos então para uma entrevista pré-elaborada com uma das autoras e a
editora deste projeto, para que elas pudessem nos contar sua experiência, a trajetória
percorrida no desenvolvimento da coleção, bem como facilidades e dificuldades
encontradas.
UMA REFLEXÃO SOBRE A FORMAÇÃO E A PRÁTICA DO EDUCADOR.
O Ensino Religioso na Educação Infantil acontece principalmente nas escolas
confessionais, e por não ser obrigatório na LDB e nos Referenciais Curriculares de
Educação, ainda encontra-se muito relacionado ao carisma de cada instituição de
ensino.
Quando pensamos na Educação Infantil, temos que ter uma visão bastante
interdisciplinar, pois a principal característica dos profissionais que atuam neste
segmento é serem na maioria generalistas. Também os conteúdos interligam-se entre
si,pelo fato de que na maioria das propostas pedagógicas utilizadas, nas diferentes
instituições de ensino, um dos aspectos mais encontrados é o trabalho com projetos de
aprendizagem, que englobam todas as disciplinas a partir de um mesmo tema.
Tendo em vista que o Ensino Religioso assim como as outras áreas necessita de
um conhecimento mais específico, voltamo-nos para a formação deste profissional que,
por exemplo, nos cursos de Pedagogia, é muito nova ainda esta área, e poucas são as
instituições que ofertam esta disciplina em sua formação, e um curso superior específico
de Ensino Religioso ainda é inexistente em nosso estado. Sendo assim o professor que
vai atuar na Educação Infantil normalmente tem o seu primeiro contato com esta
disciplina quase que no momento de sua prática, não estando preparado e tendo que se
tornar um autodidata para que dê conta do que o espera. Isto se torna praticamente
inviável, pelo fato de ter uma formação de generalista e estar atuando simultaneamente
em todas as áreas.
Este mesmo profissional, se ainda com todos esses fatores, quiser buscar uma
formação não acadêmica, mas como pesquisador, então neste momento ele se depara
com um novo problema: a falta de referenciais bibliográficos relacionados
especificamente a esta faixa etária, onde possa se pautar.
Depois de nos darmos conta deste contexto, podemos pensar numa terceira
opção, que é o material didático. Embora ele seja opcional, se for utilizado é capaz de
servir de formador não só do educando como também de seu educador, pois ao preparar
suas aulas ele estará, ao mesmo tempo, ampliando o seu conhecimento.
Precisamos refletir também que quando o professor, especialista, ou não, precisa
rever também as suas concepções religiosas pessoais, pois se a proposta da disciplina
não for internalizada e aceita pelo educador, isto também pode vir a ser um obstáculo,
pois para algumas pessoas a falta de informação e aceitação acarreta numa má
compreensão da disciplina como ciência.
Faz-se necessário também mencionar que o Ensino Religioso nas escolas
confessionais tem passado por uma transição, entre catequético e interconfessional
que este entendimento está se dando aos poucos, através de cursos ofertados pelas
mantenedoras, nas próprias escolas, debates entre os professores e coordenadores desta
área e troca de experiências entre diferentes instituições, e que há dificuldade em
separá-lo das aulas de Pastoral Escolar, as quais, por serem trabalhadas há tanto tempo
nas escolas confessionais, estão de certa forma internalizadas e garantem a continuidade
do carisma da instituição.
, e
O DESAFIO DO ENSINO RELIGIOSO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Como primeira reflexão, é necessário mencionar um breve histórico de alguns
aspectos do Ensino Religioso no Brasil, e também sobre o perfil destas crianças
freqüentadoras da Educação Infantil, para que então se possa compreender melhor o
motivo da pouca oferta de materiais desta área para este nível de escolaridade e também
das dificuldades encontradas por estes profissionais.
O primeiro contato inter-religioso em nosso país nos remete à chegada dos
portugueses, pois ao dominarem os indígenas que aqui já viviam há muito tempo,
quiseram evangelizá-los, uma vez que em sua errônea compreensão, acreditavam que os
mesmos não possuíam nenhuma religiosidade. Mesmo enfrentando este fato com muita
resistência, a evangelização aconteceu e mudou profundamente a cultura de muitos
indígenas.
Porém, com o tempo e com a chegada de outros povos e suas tradições religiosas
diferentes, houve a formação de uma pluralidade bem visível. A sociedade brasileira
começou então a se desenvolver em vários aspectos, com uma caminhada longa, mas
que nem sempre foi justa em relação a educação.
Num primeiro momento, a formação educacional do nosso povo, era de
responsabilidade da igreja, e mais tarde quando passou para o poder público, atingiu
apenas as classes mais favorecidas, cabendo ao povo em geral apenas o trabalho que
utilizava muito mais a força física do que a força cognitiva.
A primeira conquista do Ensino Religioso no Brasil, como área de conhecimento
e com “respeito”, se é que se pode assim dizer, para a diversidade religiosa de nosso
país, veio apenas em 1934, no artigo 153 que diz:
“O Ensino Religioso será de freqüência facultativa e ministrado de acordo
com os princípios da confissão religiosa do aluno, manifestada pelos pais e
responsáveis, e constituirá a matéria dos horários nas escolas públicas primárias,
secundárias, profissionais e normais”
Depois desta constituição, poucas mudanças realmente significativas se deram,
principalmente devido ao uso da palavra “facultativa”, e até a nova constituição de
1988, onde uma discussão que antecede o texto da constituição se dá, pensando no
papel que se quer para este Ensino Religioso como disciplina curricular.
De 1988 até os dias de hoje foi que houve uma maior reflexão a respeito do
Ensino Religioso dentro das escolas. Foram promovidos muitos debates para um maior
entendimento da proposta, e como conseqüências algumas conquistas. No Estado do
Paraná, normalmente tido como pioneiro nesta área de conhecimento, já tem como lei, a
obrigatoriedade desta disciplina, como parte do currículo escolar do Ensino
Fundamental, segunda fase, de 5º a 8ª séries. Porém, uma batalha ainda não vencida e
que gera muitas discussões é a matricula facultativa do aluno nesta disciplina, e
compreender que, mesmo sendo considerada como ciência, ela pode ser facultativa, faz
com que a seriedade desta disciplina seja um pouco incompreendida, deixando o
professor desfavorecido em relação a outras áreas.
Também com a nova
novo enfoque, um fio condutor, pode-se assim dizer, para o trabalho com o Ensino
Religioso dentro das escolas.
Nesta nova LDB, o Ensino Religioso trata-se de parte integrante na formação
básica do cidadão, assegura o direito à diversidade cultural religiosa e são vedadas
quaisquer formas de proselitismo.
Porém, ainda nada se fala sobre este Ensino Religioso na Educação Infantil.
Sabe-se, no entanto que ainda há uma grande divisão de opinião, com pessoas contra e a
favor desta inserção na educação básica. Esta integração da disciplina com o currículo
formal e padronizado difere muito também de escola para escola. Algumas adotam o
professor especialista para este trabalho, com o critério de ter alguém com formação
específica para esta atuação, mas na grande maioria dos casos, são os educadores
generalistas que atuam nesta área.
Também devemos pensar no histórico de nossa Educação Infantil, que durante
muitos anos teve caráter assistencialista, onde o cuidar era o mais importante valor que
poderia estar sendo ofertado. Ainda hoje podemos encontrar esta situação em algumas
instituições, porém já existem muitos estudos e livros a respeito desta faixa etária,
traduzidos para o português.
Mas a maior conquista veio apenas recentemente, na nova
LDB 9394/96 artigo 33, alterado lei 9475/97, houve umLDBEN nº. 9.304/96
– Lei de diretrizes e bases da educação nacional – onde pela primeira vez a Educação
Infantil foi vista como parte integrante e de real importância para a educação, sendo a
primeira etapa da educação básica.
Em seguida uma nova luz, o Referencial
Infantil
adotado pelas escolas desta faixa etária no país inteiro, respeitando as potencialidades
da criança nesta idade, porém dentre as muitas áreas contempladas, infelizmente não
está presente o Ensino Religioso.
Curricular para a Educação, documento que pela primeira vez, determina um conteúdo mínimo para ser
... O referencial pretende apontar metas de qualidade que contribuam para
que as crianças tenham um desenvolvimento integral de suas identidades, capazes
de crescerem como cidadãos, cujos direitos à infância são reconhecidos. Visa,
também, contribuir para que possa realizar, nas instituições, o objetivo
socializador dessa etapa educacional, em ambientes que propiciem o acesso e a
ampliação, pelas crianças, dos conhecimentos social e cultural.
Referencial curricular nacional para a educação infantil/ Ministério da
Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. _ Brasília: MEC/SEF,
1998 página 05.
Sendo assim, podemos compreender que mesmo não estando contemplado na
LDBEN, o Ensino Religioso, dentro de uma visão onde a criança deverá ter acesso ao
conhecimento social, é de extrema importância para esta faixa etária, pois não podemos
negar de forma alguma que as manifestações religiosas, sejam quais forem, influenciam
a sociedade.
Retornamos então à problemática do nosso trabalho: onde encontrar materiais
bibliográficos que subsidiem a disciplina do Ensino Religioso para os educadores da
Educação Infantil? Qual a formação possível e necessária para estes profissionais?
Depois de muitas pesquisas e buscas por este conhecimento, resolvemos nos
apoiar no material didático que acreditamos ser o mais adequado dentro da visão do
Ensino Religioso com a perspectiva que procuramos e para a criança que acreditamos
poder formar: A Coleção Redescobrindo o Universo Religioso.
Partimos para uma análise e estudo deste material. Surgiu então a curiosidade de
conhecer o processo pelo qual ele foi pensado e realizado. Elaboramos um questionário
com as nossas dúvidas e que possivelmente também são as mesmas de outros
educadores, com o objetivo de estimular os profissionais do Ensino Religioso a
buscarem caminhos e soluções para a sua prática, contribuindo assim para o trabalho
deles na Educação Infantil.
Agradecemos as duas profissionais pela gentileza de ceder seu tempo para a
nossa pesquisa, pela forma atenciosa com que nos atenderam, e salientamos que são
pessoas com essa visão de partilha que fazem com que a educação seja um caminho
valioso e significativo para a humanização e pela busca da Paz, pois saber para si é
muito digno, mas saber dividir o conhecimento é um dom.
ENTREVISTADAS
Marilac Loraine Olenike, Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade
Católica do Paraná, Licenciada em Pedagogia com Habilitação em Orientação
Educacional pela Universidade Tuiuti do Paraná, especialista em Psicopedagogia
pela Universidade Tuiuti do Paraná. Consultora editorial e pedagógica –
Praemium Consultoria Ltda, Membro do grupo de pesquisa : Educação e Religião
do Programa de pós graduação – Mestrado –PUC – PR, Coordenadora do Centro
de Orientação para Pais – Praemium Consultoria Ltda,
Professora de Metodologia do Ensino Religioso no curso de pós-graduação da
Faculdade Bagozzi, Assessora Cursos de capacitação docente e para catequistas.
Viviane Mayer Daldegan, formada Pedagogia, pela Universidade Federal do
Paraná, Pós Graduada em Administração Escolar com Ênfase em Ensino
Religioso. Professora de Ensino Religioso do Colégio Bom Jesus de Curitiba.
PERGUNTAS SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL
Observação: usaremos V quando a resposta estiver relacionada ao depoimento da
autora Viviane Mayer Daldegan, e M para a editora Marilac Loraine Olenike.
1 – Qual é a intenção social do Ensino Religioso na Educação Infantil?
V e M - A Intenção social do Ensino religioso na Educação Infantil é promover a
descoberta de si e do outro por meio de atividades lúdicas, compreendendo que as
pessoas são diferentes: pensam, agem e também utilizam maneiras diferentes para falar
com o Transcendente, mas que isso não as separa e sim pode as unir.
2 – Como podemos avaliar o Ensino Religioso na Educação Infantil?
V e M - A avaliação acontece por meio da oralidade e também dos registros
realizados pelos educandos na construção individual do conhecimento.
3 – Que conteúdos vocês acreditam ser adequados para a Educação Infantil? Por
quê?
V e M - O educando da educação Infantil é um ser em construção, que está em
uma fase totalmente concreta, aprendendo o que pode ou não fazer, percebendo-se a si e
ao outro. Para isso, é necessário explorar com ele o seu próprio universo, bem como a
sua convivência e relação com as pessoas que o cercam e com o Transcendente que
constituem esse universo. Portanto o conteúdo deve permear essa convivência para
ajudá-lo a descobrir desde a tenra idade que as diferenças não devem ser empecilhos
para a convivência, ao contrário, a diversidade enriquece a vida, pois assim temos a
oportunidade de aprender e também de ensinar.
4 – Qual a participação da família no processo de ensino aprendizagem do Ensino
Religioso na Educação Infantil?
V e M - A família é fonte de pesquisa, pois é nela que os educandos irão buscar
conhecer mais sobre a identidade religiosa de seus pais e também a sua. O resultado
desse trabalho é o fortalecimento das famílias que professam sua fé e o despertar das
famílias que estão adormecidas para a dimensão religiosa.
PERGUNTAS SOBRE A COLEÇÃO
5 – O que as levou a produzir um material didático de Ensino Religioso voltado
para a Educação Infantil?
V - O principal objetivo da produção do material didático específico para a
Educação Infantil foi à ausência de materiais destinados a esta faixa etária, que estivesse
de acordo com o art. 33 da LDB; aliada ao fato de que eu já estava desenvolvendo, para
uso pessoal, em minha própria prática e de meus colegas de nível, um material mais
rico, através de nossa reflexão sobre o ensino religioso, com o qual era montado um
portfolio.
M – O material que estava sendo produzido e utilizado pela professora Viviane
Mayer Daldegan, foi encaminhado para a editora na qual trabalho, que prontamente
aceitou o desafio de transformá-lo numa coleção didática, específica, a ser divulgada em
todo território nacional, como forma de auxiliar outros profissionais desta área em sua
prática educativa.
6 – Quais foram as dificuldades encontradas para produzir a coleção?
M e V - Em 2000, tivemos muitas dificuldades. Inicialmente, romper com o
modelo antigo de Ensino Religioso, que estava arraigado dentro de nós, expresso por
meio de uma linguagem confessional e também pela ausência de materiais que
oferecessem as informações necessárias para subsidiar o trabalho e transformar a
linguagem religiosa em pedagógica, e adequada para cada segmento da coleção a qual
estávamos nos propondo.
7 – Qual foi o material utilizado para dar início a este projeto?
V - Em nossa prática em sala de aula, eu e uma colega já sentíamos a
necessidade de um material próprio para o trabalho do Ensino Religioso e construíamos
ao longo do ano, um portfólio, que era aproveitado como material didático para o ano
seguinte e que sempre era reelaborado e aprimorado. Este foi o primeiro “boneco”, que
foi utilizado como base para a construção da coleção, mas que sofreu muitas alterações,
embora possa ser considerado como o marco inicial.
8 – Como vocês selecionaram os conteúdos da coleção Redescobrindo o Universo
Religioso, dos volumes voltados para a Educação Infantil?
M e V - Partimos dos conteúdos elencados nos Parâmetros Curriculares
Nacionais para o 1º ciclo, adaptando-os a faixa etária, para que assim o material pudesse
atingir de maneira mais expressiva a criança objetivada.
9 – Qual o retorno da coleção enquanto material didático para vocês?
M e V- Quando a coleção saiu, ela chocou o mercado com sua proposta
inovadora, ao mesmo tempo em que foi aceita por ter um caráter desafiador. A
metodologia inicial foi falar primeiramente da tradição religiosa, para então poder
trabalhar como os seus valores; o que foi invertido na reformulação da coleção.
É maravilhoso saber que o material que escrevemos, e já reeditamos, tem se
expandido significativamente. Sua adesão é desafiadora, por isso, acreditamos que há
ainda muitos profissionais que estão buscando atualização e formação e vêem o material
como um apoio pedagógico de qualidade.
CONCLUSÃO
É muito comum que o professor da Educação Infantil continue sua formação
profissional simultaneamente com a sua prática em sala de aula. Ao se tratar do Ensino
Religioso, então esta constatação toma proporções ainda maiores, pela falta de formação
específica. O que não justifica mas explica este fato.
Outro aspecto relevante é que as instituições confessionais ainda se encontram,
em sua maioria, em processo de aceitação e estruturação desta proposta de Ensino
Religioso, fazendo com que a falta de estabilidade da disciplina um problema
considerável.
A falta de materiais, é outro ponto relevante, que proporciona insegurança e
descomprometimento com o conhecimento a ser utilizado pelo professor e adquirido
pelo aluno.
Assim sendo podemos concluir que tanto o educador quanto a instituição, devem
assumir juntos a responsabilidade de suprir as falhas apontadas, comprometerem-se com
a proposta verdadeira e escolherem o material adequado para que o processo atinja mais
eficazmente seus objetivos.
Deixamos como sugestão, que a escola e o educador busquem a formação
especializada para a prática do Ensino Religioso na Educação Infantil, que haja uma
formação permanente e continuada para esses educadores no ambiente escolar com
troca de experiências, estudos de textos e planejamento conjunto de metodologias e
recursos didáticos apropriados; reciclando, complementando e significando conteúdos, e
que ainda seja feita uma opção pelo uso de material didático, que proporcione segurança
ao educador, comprometimento com os conteúdos previstos pela lei, e um envolvimento
maior e direcionado por parte do educando.
Como consideração final, queremos lembrar que o bom desenvolvimento da
educação pode ser alcançado pela harmonia existente entre a instituição, o educador, o
educando e o material didático. Com esse equilíbrio entre os pilares citados,
acreditamos que realmente o Ensino Religioso é capaz de trazer grandes transformações
em nossa sociedade, oportunizando, pelo descobrimento de si e do outro, desde a
Educação Infantil, a trilharem um caminho de paz. E numa utopia ainda maior, talvez
ainda possamos ouvir falar de nosso país, como pioneiro de modelo de Ensino Religioso
como referência para outros países, pois como disse Nelson Mandela:
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou
ainda por sua religião”.
Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar,
podem ser ensinadas a amar”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNANDES,Ir. Madalena, Afinal, o que é o Ensino
Religioso?,Paulus, São Paulo, 2000.
Revista Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, URI Curitiba, Impressão da Gráfica
da assembléia Legislativa do Estado do Paraná, 2005.

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